Altar

A ação titulada Altar ocorreu na sala 202 - A (sala de desenho) do departamento de artes da UFPR, literalmente levei um altar para a ação, resolvi tornar aqueles que acompanhavam a ação em objetos de um altar.

Como ocorreu: As pessoas foram colocadas de costas umas para as outras, pois a disposição de cadeiras se dava em forma circular, cada pessoa recebeu uma carta de um outro trabalho anterior chamado Liturgia Satírica, um baralho desenvolvido com imagens dos martírios de Jesus mescladas de figuras ligadas ao paganismo, feitas em metal, como a matriz de uma gravura.
Informei as pessoas que ao receber um toque deveriam fechar os olhos, os reabrindo ao receber dois toques, então inseri uma garra de cera em meu dedo indicador direito e toquei a testa dos participantes uma a uma, a cada toque os olhos foram fechados. 
Feito isso fui entregando para cada pessoa um elemento que originalmente pertencia a um altar que possuo, como a galhada de um cervo, o crânio de um carneiro, velas, um colar de contas, entre outros, o objetivo era tornar uno a pessoa, a carta e o objeto. 
Pedi então que cada pessoa erguesse uma das mãos, fui passando linha única de barbante entre as pessoas, conectando umas às outras, criando algo como uma corrente enérgica, afinal, este é o objetivo dos altares, trazer uma força por meio da disposição de elementos que signifiquem mais do que está dado visualmente.
Comecei a caminhar ao redor do círculo de pessoas recitando a tradução de uma letra da música One Rode to Asa Bay, da banda Bathory, letra esta que fala sobre a chegada do cristianismo em terras nórdicas e o modo como o cristianismo reagiu ao se deparar com crenças discordantes dos princípios que com os quais está acostumado.
A referência mais importante para a ação foi a música da banda bathory, que me fez pensar sobre o modo com que o cristianismo consegue fagocitar as demais culturas ao entrar em contato com as mesma, distorcendo visões e costumes, além da banda Heilung, graças ao modo que a banda utiliza para se tornar presente em suas apresentações, seja pelas vestimentas, que lembram muito elementos de um altar, criando toda uma atmosfera xamânica, ou pela inserção dos artistas ao utilizar o próprio sangue para, por exemplo, pintar símbolos em seus instrumentos musicais. Isso me fez refletir sobre ser o espectador de algo, ou estar inserido no algo, nesse caso, ser o observador de um altar ou ser mais um elemento dele, assim não mais apenas sentindo de fora a energia (indiferente de crença) que uma altar é capaz de emanar, mas adentrando essa torrente, se tornando mais uns dos receptáculos presentes. Uma vez que a conexão se completou, dei os dois toques então nos participantes para que abrissem os olhos novamente e finalizei a ação explicando qual seria a iniciativa por trás da transformação dos participantes em propriedades de um altar.


Registros realizados por colegas:


Imagem anterior à ação
Imagem anterior à ação
Imagem anterior à ação


Letra da música de inspiração:

One Rode to Asa Bay


One man rode the way through the woods

Down to Asa bay
Where dragon ships had sailed to sea
More times than one could say
To see with own eyes the wonder
People told of from man to man
The God of all almightyness
Had arrived from a foreign land

The rumours told of a man
Who had come from the other side the seas
Carrying gold cross around neck in chain
And spoke in strange tongue of peace
He had come with strange men in armour
Dressed in purple shirts and lace
Smelling not of beer but flowers
And with no hair in face
And the bold man carrying cross
Had told all one of Asa bay
The God of all man woman child had come
To them all save
And to thank Lord of Heaven
One should build to God a house
And to save one's soul from Hell
One should be baptised and say vows
A man of pride with the Hammer told new God
To build his house on own
And spoke loud of the Gods of their fathers
Not too long time gone
The rumours said the man with a beard like fire
The Hammer in chain
By men in armour silenced was and by
Their swords was slain
Those who did not pay the one coin
Of four to man of new God
Whipped was twenty and put in chains then locked
By their neck to the log
And so all of Asa bay did build
A house of the cross
Every hour of daylight they did sweat
Limbs ached because faith does cost
And on the day two hundred
There it stood white to the sky
The house of the God of the cross
Big enough to take two dragon ships inside
All of Asa bay did watch
The wonder raise to the sky
Now must the God of the cross be pleased satisfied
Just outside the circle of the crowd
One old man did stand
He looked across the waters
And blotted the sun out of his eyes with one hand
And his old eyes could almost see
The dragon ships set sail
His old ears could almost hear

Men of great numbers call out Oden's hail
And though he did know already
Though he turned face towards sky
Whispered silent words forgotten
Spoken only way up high
Now this house of a foreign God does stand
Now must they leave us alone
Still he heard from somewhere in the woods
Old crow of wisdom say
...people of Asa land, it's only just begun...

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