A ação nomeada Fastio ocorreu no banheiro masculino do terceiro andar do Campus DeArtes da Universidade federal do Paraná e está ligada a algo como a falta da fome ou o regurgito.
Como Ocorreu:
Fastio surgiu de uma visão de mundo bastante negativa, pois ao mesmo que não queria apenas repetir padrões do que em minha ignorante visão, estariam ligados a arte de ação, queria fazer surgir a vivacidade do que ao meu ver foram os momentos mais performáticos em minha existência. Tais momentos não estavam ligados ao que eu chamaria de “objetividade artística”, pois em sua maioria foram sozinhos, sem foco em algo, apenas o sentir de um instante, muitas vezes desagradáveis, os quais sempre tiveram presente algum fundo musical que apenas quem estivesse entre o fone de ouvido esquerdo e direito poderia experienciar. Por isso a fonte que se sobressai nessa ação é a música Exercises in futility I da banda Mgla, música com viés niilista que em diversos momentos esteve presente em minha jornada do ponto A ao ponto B. Ela fala sobre como a grande verdade é a não existência de uma verdade absoluta, somos uma extensão para o nada. Esse sendo o maior foco da ação, a subjetividade, queria que as pessoa ouvissem a música comigo, queria abraçar cada uma e agradecer por simplesmente estar ali, o que não ocorreu, assim como nunca ocorreu antes, pois esse é outro ponto da ação, o “eu estar sujo” não significa que outros devam se sujar com meu toque.
A ação em si foi executada da seguinte forma, coloquei nanquim em minha boca, sem que inicialmente pudesse ser visto por fora, coloquei fones de ouvido (do tipo de deixa o som vazar), me vesti de preto, pedi para que todos entrassem no banheiro masculino, entrei em seguida, entrei em seguida, a música ainda não estava ligada, parei como se os demais não estivessem ali, queria a solidão, queria que percebessem o que é estar sozinho, sem certeza de verdade alguma, sentir o nada no qual estamos inseridos e insignificância da existência, um momento em que tudo parece ilógico, em que tudo parece desgaste, em que não há motivos para seguir adiante, pois o futuro em si, é uma linha direta para o nada. Tentei então tornar perceptível o ciclo negativo que muitas vezes engloba a realidade, tornar claro como de tantas vezes isso se repetir, chega um ponto no qual já não existe um medo de a situação ocorra novamente, pois a adaptação ocorre por costume, chegando ao ponto de não fazer diferença estar em um momento de crise ou não.
A música então é ligada, me posiciono na frente de uma das pias, abro a torneira, o ralo está tampado, de modo que a pia vai se enchendo, começo a lavar o rosto, aos pouso abro a boca à medida que afundo o rosto na água, assim a água inicialmente límpida se torna negra, ao mesmo que o lavar do rosto se torna cada vez mais violenta, com a água em certo ponto sendo jogada para todos os lados, enquanto isso a pia ainda se enche, porém quando chega o ponto máximo antes que ela transborde eu fecho a torneira, transbordar significa falta de controle, às vezes isso não é uma opção, o limite ainda não é excedido, é só o limite. Libero então o ralo, permitindo que a área escura escoe, ao mesmo que permito novamente que a água da torneira flua.
A medida que a água vai se tornando novamente límpida vou também terminando de limpar a sujeira que o nanquim causou, seja nos braços, na pia, no rosto, assim quando tudo se torna novamente limpo e o caos deixa de tomar conta, saio do banheiro. Uma vez que estamos acostumados a uma situação sabemos exatamente como ela funciona e como lidar, basta por pra fora, limpar, seguir.
Registros realizados por colegas:
Fastio surgiu de uma visão de mundo bastante negativa, pois ao mesmo que não queria apenas repetir padrões do que em minha ignorante visão, estariam ligados a arte de ação, queria fazer surgir a vivacidade do que ao meu ver foram os momentos mais performáticos em minha existência. Tais momentos não estavam ligados ao que eu chamaria de “objetividade artística”, pois em sua maioria foram sozinhos, sem foco em algo, apenas o sentir de um instante, muitas vezes desagradáveis, os quais sempre tiveram presente algum fundo musical que apenas quem estivesse entre o fone de ouvido esquerdo e direito poderia experienciar. Por isso a fonte que se sobressai nessa ação é a música Exercises in futility I da banda Mgla, música com viés niilista que em diversos momentos esteve presente em minha jornada do ponto A ao ponto B. Ela fala sobre como a grande verdade é a não existência de uma verdade absoluta, somos uma extensão para o nada. Esse sendo o maior foco da ação, a subjetividade, queria que as pessoa ouvissem a música comigo, queria abraçar cada uma e agradecer por simplesmente estar ali, o que não ocorreu, assim como nunca ocorreu antes, pois esse é outro ponto da ação, o “eu estar sujo” não significa que outros devam se sujar com meu toque.
A ação em si foi executada da seguinte forma, coloquei nanquim em minha boca, sem que inicialmente pudesse ser visto por fora, coloquei fones de ouvido (do tipo de deixa o som vazar), me vesti de preto, pedi para que todos entrassem no banheiro masculino, entrei em seguida, entrei em seguida, a música ainda não estava ligada, parei como se os demais não estivessem ali, queria a solidão, queria que percebessem o que é estar sozinho, sem certeza de verdade alguma, sentir o nada no qual estamos inseridos e insignificância da existência, um momento em que tudo parece ilógico, em que tudo parece desgaste, em que não há motivos para seguir adiante, pois o futuro em si, é uma linha direta para o nada. Tentei então tornar perceptível o ciclo negativo que muitas vezes engloba a realidade, tornar claro como de tantas vezes isso se repetir, chega um ponto no qual já não existe um medo de a situação ocorra novamente, pois a adaptação ocorre por costume, chegando ao ponto de não fazer diferença estar em um momento de crise ou não.
A música então é ligada, me posiciono na frente de uma das pias, abro a torneira, o ralo está tampado, de modo que a pia vai se enchendo, começo a lavar o rosto, aos pouso abro a boca à medida que afundo o rosto na água, assim a água inicialmente límpida se torna negra, ao mesmo que o lavar do rosto se torna cada vez mais violenta, com a água em certo ponto sendo jogada para todos os lados, enquanto isso a pia ainda se enche, porém quando chega o ponto máximo antes que ela transborde eu fecho a torneira, transbordar significa falta de controle, às vezes isso não é uma opção, o limite ainda não é excedido, é só o limite. Libero então o ralo, permitindo que a área escura escoe, ao mesmo que permito novamente que a água da torneira flua.
A medida que a água vai se tornando novamente límpida vou também terminando de limpar a sujeira que o nanquim causou, seja nos braços, na pia, no rosto, assim quando tudo se torna novamente limpo e o caos deixa de tomar conta, saio do banheiro. Uma vez que estamos acostumados a uma situação sabemos exatamente como ela funciona e como lidar, basta por pra fora, limpar, seguir.
Registros realizados por colegas:
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| Anterior à ação |
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| Posterior à ação |
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| Posterior à ação |
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| Posterior à ação |
Descrição da ação por terceira pessoa (colega e participante da ação):
Letra da música de inspiração:
Exercises In Futility
The great truth is there isn't one
And it only gets worse since that conclusion
The irony of being an extension to nothing
And the force of inertia is now a vital factor
And there is despair underneath each and every action
And there is despair underneath each and every action
Each and every attempt to pierce the armour of numbness
Burning bridges becomes a habit to support
And the front line expands like there's no tomorrow
I envy the maggots
I envy the maggots
Their stuff at least sticks together
Better than laudations of misinformed seers
And those are lengthy annals of shame that we work with
It's like dumping dead meat at the brink of styx
It's like dumping dead meat at the brink of styx
With a barge that we made of what was left of yggdrasil
After veterans of spiritual revolts were done with their armchairs
And I don't even remember which brink is which
The odour of sanctity is just refined stench of existence
The odour of sanctity is just refined stench of existence
Shining pearl of augeas' crown pales in comparison
And there is despair underneath each and every action
And there is despair underneath each and every action
Each and every attempt to pierce the armour of numbness
Burning bridges becomes a habit to support
And the front line expands like there's no tomorrow
The grotesque eagles of misfortune, well fed on thanatos, sit still
The grotesque eagles of misfortune, well fed on thanatos, sit still
It's the dignity of scavengers at the ever growing garbage dump of life
There is something about the rigid posture of a proper, authentic blind
As if extended arms reached to pass his blindness onto others





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